NA PRESIDÊNCIA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, DEPUTADO PAPARICO PROTOCOLA 74 MOÇÕES DE APOIO A PROJETO QUE PROÍBE A RECONSTITUIÇÃO DE LEITE NO RS

A mobilização em defesa da cadeia produtiva do leite segue ganhando força no Rio Grande do Sul e chega à Assembleia Legislativa com um recado claro do interior gaúcho: é urgente proteger quem produz. Na linha de frente dessa articulação está o deputado estadual Paparico Bacchi (PL), autor do Projeto de Lei nº 412/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó de origem importada para qualquer uso industrial ou alimentício no Estado.

Com o retorno das atividades parlamentares, o deputado protocolou, na Presidência da Assembleia Legislativa, 74 moções de apoio aprovadas por Câmaras Municipais e entidades representativas do setor leiteiro. A entrega ao presidente da Casa, deputado Sérgio Peres, ocorreu nesta segunda-feira (09) e consolida a mobilização institucional liderada pelos municípios do interior. Mais do que manifestações formais, as moções expressam o posicionamento de comunidades que enfrentam o fechamento de propriedades, a queda de renda e o esvaziamento progressivo da atividade leiteira no Rio Grande do Sul.

Nos últimos dez anos, o Rio Grande do Sul viu o número de produtores de leite cair de mais de 80 mil para pouco mais de 28 mil. Paralelamente, as importações de leite em pó cresceram, permitindo que o produto seja reidratado e inserido no mercado em condições que, segundo o parlamentar, configuram concorrência desleal.

“Não estamos tratando de uma pauta ideológica, mas de sobrevivência econômica. O produtor gaúcho enfrenta custo elevado, carga tributária pesada e exigências sanitárias rigorosas. Não é justo competir com leite importado que chega em condições diferentes e pressiona o preço pago aqui na ponta. Se não houver uma reação do Parlamento, continuaremos assistindo ao fechamento de propriedades e ao abandono do campo”, afirmou Paparico Bacchi.

O projeto surgiu a partir de uma ampla articulação institucional consolidada durante audiência pública realizada em Passo Fundo, em novembro de 2025, que resultou na criação do Bloco Sul do Leite, reunindo parlamentares do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Nos dois estados vizinhos, a proibição da reidratação do leite já é lei, aumentando a pressão para que o RS adote medida semelhante.

Para Paparico, a ausência de uma legislação estadual coloca o Rio Grande do Sul em desvantagem competitiva dentro da própria região Sul. “Se nossos vizinhos já protegeram sua cadeia produtiva, não faz sentido que o Rio Grande do Sul permaneça vulnerável. Estamos defendendo equilíbrio de mercado, geração de emprego e desenvolvimento regional. Cada propriedade que fecha representa menos renda circulando nos municípios e menos oportunidade para as próximas gerações.”

Ao receber as moções, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Sérgio Peres, destacou a relevância da pauta para os municípios e afirmou que buscará diálogo com as lideranças para dar celeridade à tramitação. “Sabemos do esforço diário do pequeno produtor, que trabalha no frio, no calor, de madrugada, para garantir alimento na mesa dos gaúchos. É uma pauta que impacta diretamente os municípios e precisa ser analisada com responsabilidade e sensibilidade. A Assembleia cumprirá seu papel, respeitando os trâmites, mas atenta à urgência que o tema exige”, declarou.

A entrega das moções contou com a presença dos vereadores de Serafina Corrêa, Zé Betinardi e Júlio Zatti, dos empresários Nivaldo Tezza e Waldemar Costa, além do assessor parlamentar Pita Fanton. O projeto já segue em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde passará por análise técnica antes de ser levado a plenário. Se aprovado, dependerá de sanção do governador. Enquanto isso, a mobilização do setor se intensifica, mostrando a urgência de proteger a cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul.

 

 

 

Fotos: Divulgação

Jornalista Aline Pietrobeli

Imprensa Paparico

 

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