TRÊS PROJETOS DE ESCOLAS MUNICIPAIS DE DERRUBADAS E MIRAGUAÍ CHEGAM À FINAL DE CONCURSO NACIONAL
Três projetos educacionais desenvolvidos em escolas municipais de Derrubadas e Miraguaí foram selecionados para a final do concurso nacional Aprende Brasil Criativo, entre centenas de projetos de todo o país. O anúncio dos vencedores está marcado para o dia 8 de abril, em Curitiba, com a participação dos professores responsáveis pelos projetos finalistas e secretários municipais de Educação.
Em Derrubadas, a professora Elisângela Machado da Rosa Fernandes, da Escola Municipal de Educação Infantil Meu Primeiro Passo, foi a responsável pelo projeto “Encantos a galope”, finalista na categoria Educação Infantil. A proposta buscou estimular a inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Elisângela conta que a ideia surgiu de uma atividade em que as crianças foram convidadas a desenhar algo que tivesse significado especial para elas. “Um aluno desenhou um cavalo e revelou seu grande sonho: andar a cavalo. O desejo despertou o interesse dos demais colegas, inclusive das crianças com TEA, que também demonstraram entusiasmo em vivenciar essa experiência”, relembra. O entusiasmo foi tanto que a professora organizou o projeto para proporcionar às crianças uma vivência significativa com cavalos, explorando aspectos culturais, afetivos e educativos, promovendo a inclusão e fortalecendo vínculos sociais e emocionais.
Antes do grande encontro, os estudantes desenvolveram algumas atividades em sala de aula, como desenhos, pesquisas e conversas sobre os hábitos desses animais, exploração do tema sob uma perspectiva histórico-cultural, apresentando o cavalo como símbolo da tradição gaúcha. Por fim, eles puderam ter contato direto com o animal. A educadora também garantiu que os alunos com TEA se sentissem seguros e acolhidos, por meio de adaptações que respeitassem seus tempos e sensibilidades. “A experiência tornou-se um marco na vida escolar das crianças e um exemplo de educação inclusiva, cultural e afetiva para a comunidade”, completa.
Também em Derrubadas, a professora Sirlei Daiani Becker, da Escola Municipal de Educação Infantil Meu Primeiro Passo, trabalhou com os pequenos a igualdade, o respeito e a valorização da diversidade cultural como forma de combater o racismo e o preconceito. “Iniciamos o projeto em uma roda de conversa sobre o tema, considerando os conhecimentos prévios das crianças sobre as culturas afro-brasileira, indígena e também a cultura à qual pertencem”, conta. Em seguida, as crianças participaram de brincadeiras de origem dessas culturas. Foram realizadas pesquisas sobre vocabulário de diferentes idiomas, contação de histórias, produção de desenhos e de pratos típicos, além da confecção de brinquedos de origem afro-brasileira, indígena, europeia e de culturas locais.
Entre os objetivos estavam criar espaços para que as crianças expressassem ideias, experiências e sentimentos sobre relações étnico-raciais, além de ajudá-las a desenvolver uma imagem positiva de si mesmas e de seus grupos étnicos, valorizando suas raízes e histórias. “O elemento criativo foi o dia da culminância do projeto, quando as crianças se caracterizaram com roupas das culturas estudadas e vivenciaram a diversidade na prática”, avalia Sirlei. O projeto, intitulado “Vivenciando a Diversidade”, é finalista na categoria Educação das Relações Étnico-Raciais.
Já em Miraguaí, a professora Marilise Zibetti, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Lenira de Moura Lutz, escolheu o cinema como ponto de partida para trabalhar a inclusão com os estudantes do 9º ano, por meio do projeto "Luz, câmera, ação: um palco para a inclusão". “Após quatro anos acompanhando essa turma, incluindo seis estudantes com deficiência, percebi que este seria o momento de oferecer a eles uma atividade capaz de marcar nossa caminhada com significado, alegria e pertencimento”, relata. Após a exibição de curtas e trailers sobre diversidade, a turma participou de rodas de conversa sobre o tema e de uma peça de teatro sobre a vida de um adolescente autista. “Essa experiência tocou profundamente a turma. Muitos alunos relataram, pela primeira vez, como era difícil ‘ser diferente’ dentro da escola. Esse momento abriu caminho para conversas afetivas e sinceras, preparando emocionalmente a turma para criar suas próprias narrativas.”
A experiência se complementou com a presença de um adolescente autista, que compartilhou um relato sobre os desafios que enfrenta, suas conquistas e o quanto significa para ele ser acolhido pela escola. Na etapa seguinte, a turma adaptou a obra “Sobre Ser Diferente”. “Cada cena foi construída coletivamente, respeitando o ritmo, as habilidades e as necessidades dos estudantes da educação especial”, detalha Marilise. A turma também fez uma apresentação musical, levando cartazes com palavras que surgiram nas conversas, entre elas ‘respeito’, ‘voz’, ‘acolhimento’, ‘coragem’, ‘diversidade’ e ‘inclusão’. Para reforçar a autoconfiança, a oralidade e a percepção de que a escola é um espaço de voz, a professora instalou um microfone no pátio, durante o intervalo, convidando os estudantes a falar algo positivo que tivesse acontecido naquele dia. “As apresentações mostraram muito mais do que aprendizagem: revelaram transformação, coragem e protagonismo.”
O Aprende Brasil Criativo, promovido pela Aprende Brasil Educação, está na 4ª edição. O objetivo é valorizar iniciativas criativas desenvolvidas nas escolas públicas brasileiras. Para a gerente de Marketing da companhia, Damila Bonato, esse reconhecimento é uma forma de honrar a dedicação dos educadores e o compromisso que eles têm com o aprendizado vivo. “Lançamos o desafio de levar o ensino para além da teoria. Queremos inspirar novas formas de educar e garantir que os alunos tenham experiências reais e transformadoras na escola”, destaca.
Projeto Encantos a Galope, de Derrubadas.
Projeto Encantos a Galope, de Derrubadas.
Projeto Vivenciando a Diversidade, de Derrubadas.
Projeto Vivenciando a Diversidade, de Derrubadas.
Projeto Luz, câmera, ação: um palco para a inclusão, de Miraguaí.
Projeto Luz, câmera, ação: um palco para a inclusão, de Miraguaí.
Fotos: Divulgação
Imprensa Aprende Brasil










