DEPUTADO PAPARICO BACCHI ALERTA PARA CRISE NA PRODUÇÃO DE BATATA E PROPÕE DEBATE SOBRE IMPACTO DAS IMPORTAÇÕES NO RS

A situação da cadeia produtiva da batata no Rio Grande do Sul foi tema de manifestação do deputado Paparico Bacchi durante reunião da Comissão de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo da Assembleia Legislativa. Ao se pronunciar no colegiado, o parlamentar chamou atenção para o agravamento das dificuldades enfrentadas por produtores gaúchos, especialmente na região dos Campos de Cima da Serra, destacando que municípios como Bom Jesus, São José dos Ausentes, Vacaria, São Francisco de Paula, Ibiraiaras e Capão Bonito do Sul já registram impactos diretos na atividade.

De acordo com Paparico, a queda na rentabilidade tem levado produtores a situações extremas, como a decisão de não colher a produção diante dos custos elevados e da baixa remuneração no mercado. Ele ressaltou que esse cenário está associado, entre outros fatores, à crescente pressão sobre os preços, influenciada pelo aumento da concorrência com produtos importados, o que tem reduzido a margem do produtor e comprometido a sustentabilidade da atividade em diversas propriedades rurais.

Durante a manifestação, o deputado apresentou dados que evidenciam a relevância econômica da cultura no Estado. O Rio Grande do Sul cultiva mais de 18 mil hectares de batata, com produção anual de aproximadamente 608 mil toneladas e valor estimado em cerca de R$ 1,8 bilhão, representando aproximadamente 11% da produção nacional. Na região dos Campos de Cima da Serra, a atividade possui caráter estratégico, sendo intensiva em mão de obra e fundamental para a geração de emprego e renda, além de sustentar a dinâmica econômica de diversos municípios.

Ao abordar o cenário internacional, Bacchi destacou a necessidade de atenção diante de movimentos de ampliação das importações, especialmente no caso da batata oriunda da China, maior produtora mundial. Enquanto o Brasil produz cerca de 3,5 milhões de toneladas por ano, a produção chinesa alcança dezenas de milhões de toneladas, operando sob um modelo com forte presença de políticas públicas e incentivos à produção, o que pode gerar distorções de mercado e comprometer a competitividade do produtor brasileiro.

Segundo o parlamentar, quando um produto ingressa no mercado com preços influenciados por estruturas externas de incentivo, não se trata de uma concorrência em condições equivalentes, mas de um cenário que pressiona diretamente o produtor local. Ele também ressaltou que, em períodos recentes, o setor já enfrentou quedas expressivas nos preços pagos ao produtor, agravando ainda mais a situação econômica das propriedades e aumentando o risco de descontinuidade da atividade.

Além da questão econômica, o parlamentar alertou para os riscos sanitários envolvidos, destacando que a batata é uma cultura sensível a pragas e doenças de solo e que a entrada de produtos sem o devido rigor nos controles pode representar uma ameaça concreta à produção nacional, com potencial de gerar prejuízos de difícil reversão.

Diante desse cenário, o deputado defendeu a necessidade de um debate técnico, responsável e aprofundado sobre os efeitos das importações, considerando aspectos econômicos, sanitários e regulatórios, com foco no equilíbrio do mercado e na proteção da produção nacional. Como encaminhamento, anunciou a realização de uma audiência pública no mês de maio, no município de Bom Jesus, com o objetivo de reunir produtores, lideranças regionais, especialistas e representantes do setor para discutir medidas e alternativas frente ao atual contexto.

 

 

Foto: Divulgação

Imprensa deputado Paparico

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