“PORTO SECO DE ERECHIM SERÁ UM DIVISOR DE ÁGUAS PARA A ECONOMIA DE DIVERSAS REGIÕES DO RS E SC”, AFIRMA DEPUTADO PAPARICO BACCHI

A construção de um novo eixo logístico e econômico para o Rio Grande do Sul esteve no centro da entrevista concedida nesta segunda-feira (25) pelo deputado estadual Paparico Bacchi. Durante conversa, o parlamentar apresentou uma agenda voltada à infraestrutura, logística, produção e desenvolvimento regional, tendo como principal pauta a implantação de um Porto Seco em Erechim.

Ao lado do empresário José Gelson Miola, vice-presidente da Fecomércio-RS e presidente da Comissão de Acompanhamento para Instalação do Porto Seco de Erechim, Paparico afirmou que Erechim vive um momento decisivo e precisa se preparar para liderar um novo ciclo de desenvolvimento econômico regional. “As regiões que cresceram economicamente no Rio Grande do Sul foram aquelas que investiram em infraestrutura logística e tiveram capacidade de organização. Erechim possui força empresarial, capacidade produtiva e condições reais de assumir esse protagonismo”, afirmou Miola durante a entrevista.

A entrevista ocorreu poucos dias após a audiência pública realizada na Câmara Municipal de Vereadores de Erechim, promovida pela Comissão de Economia, Trabalho, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da Assembleia Legislativa, que reuniu lideranças políticas, prefeitos, empresários, entidades e representantes do setor produtivo para discutir os impactos econômicos e logísticos da proposta para Erechim e diversas regiões do Rio Grande do Sul que poderão ser beneficiadas pelo projeto. O encontro marcou o início formal da mobilização regional em torno do projeto e resultou na criação da Comissão de Acompanhamento para Instalação do Porto Seco de Erechim, presidida por Miola e tendo como vice-presidente o vice-prefeito de Erechim, Flávio Augusto Tirello.

Ao longo da entrevista, Paparico sustentou que Erechim atravessa uma oportunidade histórica de consolidação econômica e que a discussão sobre logística deixou de ser apenas uma pauta de infraestrutura para se transformar em um tema diretamente ligado à competitividade, à atração de investimentos e à capacidade de crescimento regional. “O Porto Seco não é apenas uma estrutura alfandegária. Estamos falando de um projeto capaz de mudar a dinâmica econômica da região, reduzir custos operacionais, fortalecer a indústria, ampliar a competitividade e posicionar Erechim e diversas regiões do Rio Grande do Sul em um novo patamar de desenvolvimento logístico e econômico”, afirmou.

O modelo permitirá que operações de importação e exportação sejam realizadas diretamente na região, reduzindo burocracia, tempo de espera e custos logísticos para empresas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Na prática, o Porto Seco funcionará como uma estação aduaneira instalada no interior, permitindo desembaraço alfandegário, armazenamento e movimentação de cargas sem a necessidade de deslocamento até grandes estruturas portuárias, como o Porto de Rio Grande.

Durante a entrevista, o deputado destacou que Erechim reúne localização estratégica, força agroindustrial e capacidade regional para liderar o projeto. “Hoje existe uma corrida nacional por estruturas logísticas. As regiões que compreenderem primeiro a importância disso terão vantagem econômica nos próximos anos. Erechim precisa estar preparada para liderar um projeto que poderá beneficiar economicamente diversas regiões do Rio Grande do Sul”, declarou.

Paparico também afirmou que a implantação do Porto Seco poderá provocar um efeito de transformação econômica em cadeia, impactando diretamente setores ligados à indústria, comércio, agronegócio, transporte e serviços em diversas regiões conectadas economicamente ao projeto.

 

INFRAESTRUTURA E COMPETITIVIDADE

Ao longo da entrevista, o parlamentar também defendeu investimentos em infraestrutura para acompanhar o crescimento econômico regional. Paparico relembrou articulações ligadas à Transbrasiliana, às ligações rodoviárias entre o Nordeste gaúcho e o Alto Uruguai e a obras de integração regional realizadas nos últimos anos.

Segundo ele, desenvolvimento regional exige planejamento de longo prazo, capacidade logística e infraestrutura compatível com o crescimento da região. “Não existe crescimento sustentável sem infraestrutura, logística e integração econômica”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a preocupação com a capacidade energética de Erechim diante do avanço industrial da região. O deputado citou relatos de empresas que enfrentam dificuldades para ampliar investimentos devido à insuficiência no fornecimento de energia elétrica. “Não podemos permitir que Erechim perca investimentos por falta de estrutura. Quando uma empresa deixa de crescer por falta de energia, o problema deixa de ser técnico e passa a ser econômico”, ressaltou.

 

A SOBERANIA NACIONAL PASSA PELA PRODUÇÃO DE FERTILIZANTES

A produção de fertilizantes voltou a ocupar espaço central na entrevista ao ser tratada pelo deputado como um tema estratégico para a economia, a produção agrícola e a soberania nacional. Presidente da Frente Parlamentar da Mineração e defensor da ampliação da capacidade produtiva do agronegócio brasileiro, Paparico confirmou a inauguração da primeira fábrica de fertilizantes do Rio Grande do Sul, em Lavras do Sul, e reforçou a necessidade de o país reduzir sua dependência externa na produção de insumos agrícolas.

Segundo o parlamentar, não existe soberania nacional sem autonomia produtiva no setor agrícola, especialmente em um país cuja economia possui forte ligação com o agronegócio. Paparico também alertou para o impacto direto do alto custo dos fertilizantes sobre a produção rural brasileira, afirmando que os agricultores convivem com margens cada vez menores diante do aumento dos custos de produção.

“Estamos muito preocupados com a economia do nosso estado e com a soberania do Brasil. Não há como sermos soberanos se importamos 90% dos fertilizantes que usamos. O Brasil é o único país do mundo que vive da agricultura e não produz seus próprios insumos”, afirmou.

Durante a entrevista, o deputado destacou o potencial estratégico do Rio Grande do Sul na cadeia nacional de fertilizantes, especialmente pela capacidade mineral existente no estado. Segundo ele, o território gaúcho concentra algumas das principais reservas de carvão mineral do país, além de possuir potencial para ampliar a produção de fósforo e ureia, reduzindo a dependência brasileira de mercados internacionais. “O produtor rural brasileiro paga uma conta muito alta pela dependência externa. O dinheiro sai do bolso do agricultor gaúcho e brasileiro e vai para outros países. Precisamos produzir aqui aquilo que consumimos aqui”, declarou.

Paparico voltou a defender o aproveitamento do carvão mineral gaúcho para produção de ureia, argumentando que o Rio Grande do Sul possui condições estruturais para liderar uma nova cadeia produtiva ligada aos fertilizantes e à industrialização do setor mineral.

O deputado também é autor do Projeto de Lei nº 166/2025, que institui o Plano Estadual de Fertilizantes e Insumos para a Nutrição de Plantas. A proposta busca reduzir a dependência externa de insumos agrícolas, fortalecer a soberania nacional e ampliar a capacidade de produção local de fertilizantes. “Produzir fertilizantes no Brasil significa fortalecer nossa agricultura, reduzir vulnerabilidades externas e proteger a competitividade do setor produtivo brasileiro”, declarou.

 

 

Foto: Divulgação

Imprensa Deputado Paparico

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