TRIGO MANTÉM POTENCIAL PRODUTIVO SATISFATÓRIO NO RS APESAR DAS CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS

As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento regular no Rio Grande do Sul, parcialmente prejudicado pelo excesso de precipitações, pela persistência de nebulosidade e pela baixa disponibilidade de radiação solar. Apesar das limitações meteorológicas, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório. 

Conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta sexta-feira (21/08), essas condições reduziram a taxa de crescimento e retardaram a progressão fenológica em parte das lavouras. Como consequência, observam-se plantas de menor porte, coloração verde-pálida e, nos ambientes mais úmidos, amarelecimento das folhas inferiores. Também se observa a formação de colmos mais delgados, levando ao menor acúmulo de biomassa. 

Em termos fenológicos, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo, que representam 82% da área. As parcelas implantadas mais precocemente avançam para a floração, com 14%, e para o enchimento de grãos, com 4%. 

O prolongado período de molhamento foliar e a elevada umidade têm aumentado a pressão de doenças – especialmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, a elevada umidade do solo vem restringindo o trânsito de máquinas e reduzindo as janelas para a aplicação de fungicidas. 

A área projetada para a Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 quilos por hectare.

 

Canola

As lavouras de canola apresentam estabelecimento e desenvolvimento adequados. Predominam as fases de florescimento, formação de síliquas e enchimento de grãos. A estrutura reprodutiva demonstra, em geral, elevada emissão floral e bom potencial de formação de síliquas. Porém, em algumas áreas, é observada redução no desenvolvimento dessas estruturas e no número de sementes por síliqua. 

O excesso de precipitações, a persistência de elevada umidade e a baixa luminosidade também interferiram no desempenho das parcelas mais tardias e aumentaram a preocupação com a polinização e a condição física do solo. 

Em termos fitossanitários, foram identificados focos localizados de traça-das-crucíferas, com danos às síliquas, além da necessidade de monitoramento para as doenças canela-preta e mofo-branco. Apesar de as condições meteorológicas terem imposto restrições ao acesso às lavouras e à realização de tratamentos, o quadro sanitário está, em geral, favorável, e o potencial produtivo permanece positivo. 

 

Carinata

Os cultivos de carinata apresentam evolução fenológica concentrada nos estádios reprodutivos, acompanhando o padrão observado para outras brássicas de inverno. A maior parte das áreas se encontra em florescimento ou enchimento de grãos, com desenvolvimento considerado satisfatório e sem registro de problemas fitossanitários expressivos nas áreas. 

A condição meteorológica de elevada umidade exigiu atenção dos produtores à evolução das estruturas reprodutivas. Porém, até o momento, não alterou de forma significativa o potencial produtivo. 

 

Aveia-branca

As lavouras de aveia-branca apresentam desenvolvimento variável entre as regiões do Estado, mas ainda predomina o estágio final da fase vegetativa. Como resultado da elevada umidade no ambiente e das temperaturas amenas, observou-se o aumento da incidência de doenças, especialmente ferrugens, manchas foliares e giberela, exigindo maior monitoramento e controle. 

Embora algumas áreas mantenham bom desenvolvimento e sanidade, há registros de queda no potencial produtivo devido à maior incidência de doenças e à elevada umidade em alguns cultivos.

 

Cevada

As lavouras de cevada apresentam padrão satisfatório. Entretanto, houve redução no ritmo de desenvolvimento devido à baixa luminosidade e à recorrência de chuvas. Observa-se amarelecimento das folhas basais em parte das áreas, mesmo sem elevada incidência de doenças até o momento.

Há preocupação dos produtores com a evolução da cultura para os estádios reprodutivos sob elevada umidade, pois se eleva o risco de doenças fúngicas, especialmente de giberela, cuja infecção ocorre durante o florescimento. A recorrência das precipitações tem reduzido as janelas para a realização dos tratamentos preventivos, que precisam ser efetuados antes da infecção pelo patógeno. 

 

 

Foto: Deise Froelich - Divulgação Emater/RS-Ascar

Texto: Ascom Emater/RS-Ascar

Edição: Secom

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