MOSTRA DE ESCOLAS TÉCNICAS AGRÍCOLAS DIVULGA RELAÇÃO DE CINCO PROJETOS PARA FEIRAS CIENTÍFICAS

Cinco projetos desenvolvidos por estudantes de escolas técnicas agrícolas do Rio Grande do Sul foram selecionados para representar a rede em outras feiras científicas após a realização da Mostra de Ensino Técnico Agrícola (Meta), na Casa da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS). Coordenada pelo professor Carlos Fontoura, a iniciativa reuniu dez projetos e não teve caráter competitivo, com todos os participantes sendo reconhecidos pela apresentação de suas pesquisas.

Segundo Fontoura, a qualidade dos trabalhos apresentados nesta edição ficou acima da expectativa e mostrou avanço em relação às edições anteriores. Para o coordenador, o crescimento da iniciação científica nas escolas agrícolas está associado à relação direta dos projetos com problemas encontrados na realidade do campo e à busca por soluções desenvolvidas por estudantes e professores da rede pública estadual.

Entre os selecionados está a pesquisa "Desenvolvimento de um Sucedâneo Lácteo para Cordeiros", desenvolvida pela Escola Estadual de Ensino Médio Ildefonso Simões Lopes, de Osório. Outro projeto é o "Biochar: Transformando Resíduos em Sustentabilidade", da Escola Técnica Estadual Visconde de São Leopoldo, de São Leopoldo, que aborda economia circular a partir de múltiplas aplicações do biochar, incluindo adubação e sequestro de carbono. A proposta também integra uma iniciativa da Agptea para replicar a experiência em uma rede que já reúne 27 escolas agrícolas do Estado e busca avançar na discussão sobre uma cooperativa de crédito de carbono, agricultura e fertilizantes.

Também foi selecionado o projeto "Biofert: Desenvolvimento Inicial de Oliveira Arbequina sob Diferentes Fontes e Doses de Bioinsumos", da Escola Técnica Estadual Canguçu, de Canguçu. A pesquisa aborda o uso de biofertilizantes e cobertura para oliveiras, cultura que integra a realidade produtiva da região. Já a Escola Estadual Técnica Fronteira Noroeste, de Santa Rosa, teve selecionado o trabalho "Uso do Extrato Etanólico de Própolis como Alternativa na Desinfecção de Ovos Incubáveis". O estudo tem como foco o controle de salmonela em ovos, visando ao aumento da taxa de reprodução de pequenos avicultores.

O quinto projeto escolhido,"Biocurativos de Queratina Aviária: Curativos Naturais Produzidos com a Queratina Extraída de Penas de Galinha", foi desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Profissional de Carazinho (EEPROCAR) e apresenta um curativo produzido à base de queratina extraída de penas de galinha. De acordo com a descrição apresentada na Meta, o material é absorvido pelo organismo, não exige retirada ou lavagem e evita o acúmulo de umidade, enquanto a queratina atua no processo de cicatrização de animais.

Fontoura explica que os projetos têm como característica a aplicação prática do conhecimento produzido pelos próprios estudantes. “Os problemas são vinculados à realidade. São soluções tecnológicas, técnicas, feitas por gente nossa do Estado do Rio Grande do Sul, por uma rede de ensino público”, afirma.

Os cinco projetos terão destinos diferentes nas próximas etapas. O desenvolvido na EEPROCAR está classificado para a Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), em Santa Catarina. Como os estudantes estão na segunda série, a equipe já possui credencial para participar da edição do próximo ano.

Os outros quatro trabalhos serão encaminhados à Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em Novo Hamburgo (RS), com os preparativos previstos até o fim de setembro. A participação nas feiras externas também é apontada por Fontoura como um dos resultados do trabalho desenvolvido pela Meta. Segundo ele, nas últimas quatro edições, todos os projetos da área de ciências agrárias e recursos naturais encaminhados à Mostratec obtiveram classificação. O resultado, na avaliação do coordenador, demonstra a capacidade de produção científica das escolas técnicas agrícolas da rede pública estadual.

A continuidade da mostra já começou a ser planejada pela Agptea e pela Superintendência da Educação Profissional (Suepro/RS). Fontoura afirma que uma das prioridades para as próximas edições é formar novos professores para assumir a organização e garantir a permanência da iniciativa. “Nós temos que ter sucessores. Nós não podemos parar esse processo”, diz.

 

 

Foto: Dandara Medeiros/Divulgação

Texto: Rejane Costa/AgroEffective

 

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