COMEÇA COLHEITA DO TRIGO NAS PRINCIPAIS REGIÕES PRODUTORAS DO RIO GRANDE DO SUL

As condições ambientais foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de trigo na maior parte do Rio Grande do Sul. Há, contudo, diferenças de desenvolvimento entre as regiões, em função da época de implantação e das condições meteorológicas ao longo do ciclo. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (17/9), as áreas de trigo implantadas de forma precoce, no oeste do Estado, avançam para as fases de enchimento de grãos (44%) e maturação (5%), e inicia-se a colheita. Nas lavouras de implantação mais tardia, predominam os estágios de desenvolvimento vegetativo (12%) e de espigamento e floração (39%).

Em relação ao quadro fitossanitário, há incidência de oídio, de manchas foliares, de ferrugens e de giberela. Destaca-se a necessidade de maior atenção às lavouras em floração e às áreas submetidas a condições meteorológicas propícias ao desenvolvimento de doenças. Para a Safra 2026, a área projetada com trigo no Estado é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.

Na região de Santa Rosa, 4% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 28% em floração, 61% em enchimento de grãos e 7% em maturação. As lavouras apresentam bom número de espiguetas por espiga e ausência de falhas de fecundação, mantendo o potencial produtivo favorável. Na região de Caxias do Sul, a elevada nebulosidade e a baixa luminosidade, associadas às temperaturas reduzidas, retardaram o desenvolvimento das plantas. As lavouras de trigo estão no final do perfilhamento e início da elongação do colmo, mantendo, apesar das intempéries, expectativa de rendimento considerada satisfatória. Já na região de Santa Maria, em Tupanciretã, município de maior extensão regional do cultivo, 20% das lavouras estão em elongação, 60% em floração e 20% em enchimento de grãos. Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas mantêm a necessidade de acompanhamento durante a floração, mas a quantificação de eventuais perdas ainda não foi realizada.

 

Aveia-branca 

Houve avanço do ciclo nos cultivos de aveia-branca. Do total da área, estimada para o Estado em de 387.697 hectares, 11% estão em desenvolvimento vegetativo, 49% em enchimento de grãos, 27% em floração, 11% em maturação e 2% colhidos. De modo geral, as condições das lavouras estão satisfatórias, com bom desenvolvimento e condições sanitárias favoráveis, embora persista a incidência pontual de doenças foliares, especialmente ferrugens. A produtividade média estadual está projetada em 2.322 kg/ha.

 

Canola 

A cultura da canola avança para as fases finais do ciclo. Predominam lavouras em floração e enchimento de grãos (88%), e aumentam as áreas em maturação (9%). A colheita ainda se limita a pequenas extensões de implantação precoce (1%). As condições de maior luminosidade, de temperaturas favoráveis e de menor umidade relativa do ar, observadas em parte do período, contribuíram para o avanço fenológico, para o desempenho das plantas e, nas áreas em floração, para maior atividade de polinizadores. A ocorrência de geada em lavouras em formação pode ter comprometido de forma parcial o enchimento das síliquas, mas ainda sem quantificação definitiva das perdas. A área cultivada de canola no Rio Grande do Sul está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.

 

Carinata 

A cultura apresenta desenvolvimento e estande satisfatórios, apesar das diferenças entre as regiões, em função da época de implantação e das condições meteorológicas ao longo do ciclo. As lavouras em desenvolvimento vegetativo totalizam 3%; em floração são 32%; em enchimento de grãos, 62%; e em maturação, 3%. Na região de Frederico Westphalen, as lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório. Estão 70% em enchimento de grãos e 30% em maturação. A expectativa atual de produtividade está próxima de 1.100 kg/ha. Já na região de Ijuí, 15% da área de canola está em floração, 80% em granação e 5% em maturação.

 

Cevada 

As janelas de tempo firme favoreceram a evolução da cultura e a continuidade das operações de manejo. Nas regiões de maior concentração de cultivo, apesar das chuvas volumosas, não foram relatados impactos relevantes nas lavouras. Cerca de 50% da área cultivada está em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 20% em enchimento de grãos. De forma pontual, algumas lavouras iniciaram o processo de maturação. A área de cultivo estimada é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha.

 

Culturas de verão

Milho 

O plantio de milho no Rio Grande do Sul chega a 60% da área e está praticamente finalizado na região Noroeste. A ocorrência de geada causou danos em lavouras implantadas mais cedo e nos locais mais propícios para ocorrência de geadas. Os produtores realizaram as aplicações de herbicidas e de inseticidas; estes para o controle de cigarrinha, cuja incidência aumentou. A estimativa da Emater/RS-Ascar aponta o plantio de 896.401 hectares de milho, produtividade projetada de 7.711 kg/ha e produção aproximada de 6,91 milhões de toneladas.

 

Arroz 

Na região de Bagé, há intenção de plantio de 361.027 hectares de arroz. Houve excelente evolução na semeadura das lavouras, ainda concentrada nos municípios da Fronteira Oeste, com histórico de implantação da cultura desde o início de setembro. Em Maçambará, 15% dos 16.900 hectares previstos foram semeados. A alta capacidade de máquinas e implementos utilizados pelos produtores permitem avanço diário significativo do plantio. As temperaturas baixas devem provocar algum atraso no estabelecimento das lavouras. Ainda assim, a sequência de dias de tempo seco foi propícia para os cultivos. As barragens cheias e a boa reação na cotação do produto motivam os produtores, que estavam pessimistas em relação à primavera pela ocorrência de El Niño, à falta de crédito e aos insumos com cotações elevadas.

 

Feijão 1ª safra 

Na região de Ijuí, a semeadura evoluiu para 40% da área projetada, que é de 883 hectares para o Rio Grande do Sul. O desenvolvimento das plantas ocorreu de forma lenta devido ao tempo frio. Na região de Pelotas, segue o plantio das primeiras lavouras em locais protegidos e sem riscos de geadas. Na região de Soledade, no baixo Vale do Rio Pardo, a semeadura do feijão 1ª safra está em fase final. Nas regiões Centro-Serra e Alto da Serra do Botucaraí, as áreas estão preparadas para o plantio.

 

Criações

Bovinocultura de leite

O excesso de umidade e a formação de barro ainda dificultam o acesso às pastagens e o manejo, além de aumentarem os riscos de mastite e de problemas de casco em determinadas regiões. Já a redução do encharcamento em algumas áreas tem favorecido a movimentação dos animais e o acesso às forrageiras

Na região de Bagé, as vacas alimentadas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal. Esse cenário marca o retorno dos produtores sazonais à atividade e o aumento da produção dos que efetuam a entrega de leite durante todo o ano, mas não realizam investimentos significativos em pastagens de inverno ou na suplementação com fenos e silagens.

O observa-se pequena redução na produção de leite nos sistemas de produção a pasto na região de Ijuí. Nos sistemas confinados, a produtividade não apresentou alterações. Nos sistemas estabulados, persiste a dificuldade para reduzir a umidade da cama dos animais, embora o conforto térmico esteja satisfatório.

Em algumas propriedades da região de Santa Rosa, o excesso de umidade das semanas anteriores ocasionou danos pontuais por pisoteio e dificultou o manejo, mas não comprometeu a alimentação dos animais. Os produtores seguem realizando suplementação alimentar com silagem e concentrados, especialmente para vacas em pico de lactação.

 

Piscicultura

Na região de Erechim, a geada e o frio do início do período reduziram o apetite e a atividade dos peixes. A chuva volumosa na sexta-feira (11/9), a qual atingiu até 150 mm, aumentou a turbidez da água nos viveiros e elevou o risco de redução do oxigênio dissolvido, de inversão térmica, de transbordamento e de fuga dos peixes em viveiros com pouca margem de segurança. Apesar da turbidez nos viveiros após a chuva forte, os açudes apresentam ótima disponibilidade de água.

 

Pesca artesanal

Na região de Santa Rosa, novamente os pescadores de Porto Vera Cruz e de outras localidades que praticam a pesca no Rio Uruguai foram prejudicados pela elevação do nível do rio. Segundo representantes da categoria, a maioria retirou os materiais e petrechos de pesca da água e monitora as embarcações nas margens para evitar perdas ainda maiores.

 

Texto: Ascom Emater/RS-Ascar

Edição: Secom

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